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Denúncia feita, o que vem a seguir?

Após as denúncias anônimas publicadas na hashtag ExposedFortal, diversos colégios se pronunciaram a respeito dos ocorridos, deixando claro que não tinham conhecimento dos casos e que repudiam qualquer tipo de assédio. Através das notas oficiais mencionadas anteriormente, anunciaram o afastamento de alguns professores, como é possível identificar nas imagens seguintes.

No entanto, em junho de 2021, quase um ano após o sucesso do movimento, o que foi feito nas escolas para impedir ou solucionar esse problema? Ao tentar contato com o Colégio Ari de Sá Cavalcante e o Colégio Master, escolas de Thamires, Paula e Clarice, respectivamente, não obtivemos resposta. O objetivo era identificar quais mudanças e quais cuidados passaram a ser tomados para prevenção após a tomada de conhecimento dos casos, além de quais novas medidas e posicionamentos são tomados atualmente para resolver possíveis novos assédios. Além disso, entender por quais motivos os respectivos professores não foram demitidos no momento da primeira denúncia.

Dentre os professores retratados nos casos, todos seguem suas carreiras com liberdade, mesmo após serem desligados de outra escola por acusações de assédio sexual contra menores de idade. Após a demissão, todos foram readmitidos por outras instituições de ensino. Ricardo, do relato de Paula, atualmente leciona no Curso Simétrico, instituição preparatória para o Exame do Ensino Médio Nacional (ENEM). Enquanto isso, Saulo, da história de Thamires, mudou de estado para trabalhar no Piauí.

“Sempre fui muito querido pelos alunos pela forma de lecionar e pelo carisma. Então uma aluna, atrás de caçar atenção ou curtidas, criou uma situação que não existiu”

Hugo
Ex professor de Fernanda

Segundo a defensora pública do Estado do Ceará e supervisora do Nudem/Fortaleza, Jeritza Lopes, é orientado que seja feita a denúncia legal, na delegacia da infância caso a vítima seja menor de idade, além de ser importante documentar com mensagens, fotos ou quaisquer provas. Ela sugere também que seja escrito um diário com a anotação de cada fala, olhar ou abordagem diferente, marcando a data e o horário. “É algo mais concreto, documentado", explica ela.

Ao ser perguntado por nós sobre o caso em questão, Hugo, ex professor de Fernanda, afirmou que realizou um Boletim de Ocorrência de calúnia e difamação contra a jovem. “Sempre fui muito querido pelos alunos pela forma de lecionar e pelo carisma. Então uma aluna, atrás de caçar atenção ou curtidas, criou uma situação que não existiu”, declarou o professor, que continuou: “Felizmente outras escolas conhecem minha índole e profissionalismo, me ouviram e ficaram do meu lado”. Hugo também conta que se sentiu “agredido e injustiçado pela covardia” do Colégio Christus em demiti-lo, assim como da turma em concordar com a denúncia.

Enquanto isso, Ricardo, ex professor de Paula, se defende ao nos afirmar que nenhuma reclamação foi formalizada a seu respeito na escola ou através de um Boletim de Ocorrência. “Não quero mais falar sobre isso. Quando eu precisava ser ouvido, não fui”, declarou o professor de redação, que também contou estar com suporte legal para que mais situações como essa não se repitam. 

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Jeritza Lopes
Defensora pública do Estado do Ceará e Supervisora do Nudem/Fortaleza

© 2021 KSB Gazette. Universidade de Fortaleza

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