Vertentes que ajudam a amenizar o problema
Uma de novembro de 2017 publicada pelo Datafolha afirma que “Uma parcela de 42% das brasileiras com 16 anos ou mais declara já ter sido vítima de assédio sexual.”, e ainda declara que 10% dessas jovens foram assediadas sexualmente dentro da escola ou faculdade (8% verbalmente, e 1% fisicamente). A porcentagem parece pequena, mas se colocada em números, cresce. Os dados alertam sobre uma subnotificação, se houvesse uma maneira de contabilizar as crianças e adolescentes que nunca denunciaram ou comentaram sobre seus casos de assédio, seja por vergonha, desinteresse ou até mesmo por não ter discernimento que aquilo que sofreu foi um assédio, a quantidade aumentaria consideravelmente.

Ilustração: Bianca Braga

Lívia Nóbrega
Psicóloga
Lívia conta também que realizar esse trabalho voluntário e levar as meninas que entraram em contato para o Núcleo foi um desafio, pois o post que ela fez teve um alcance muito grande e meninas de outras cidades entraram em contato. "Várias dessas meninas ainda estão (em terapia) comigo até hoje”, disse ela. A psicóloga ainda continua sobre sua experiência “Então ao mesmo tempo que eu fico muito feliz de ter feito essa causa [...] eu também fico muito triste, pois é algo que ainda é muito tabu e é um assunto que tem que ser discutido”. Além disso, a psicóloga reforça a importância da denúncia: “A denúncia é importante para deixar na ficha criminal dele, uma pessoa que tem na ficha criminal de abuso sexual, essa pessoa não vai poder fazer concurso e não vai conseguir entrar em uma escola de prestígio”.
Outro ponto de solução que ajuda além da denúncia e do atendimento psicológico, é uma alternativa a qual existe um debate sobre sua relevância há anos, a educação sexual como uma forma de conscientização de crianças e adolescentes. A educação sexual sendo aplicada na escola é um ensino vertical, como descreve a educadora Jennifer Garrido, fundadora do Centro de Educação Integrada Jennifer Garrido, mudando e evoluindo de conteúdo conforme a idade da criança. A educadora ainda reforça o ensino sobre o conhecimento das partes íntimas como primordial para casos de assédio ocorridos com crianças “Como ela vai te explicar o que aconteceu se ela não sabe o nome do corpo dela?”.



Atualmente, essa proporção de casos de assédio sexual nas instituições escolares amplifica ainda mais. Considerando que 2020 e 2021 foram anos de pandemia em que crianças e adolescentes tiveram um contato mais restrito com seus colégios, uma pesquisa do afirma que foi registrado em 2019 um total de 86.837 denúncias de violações de direitos humanos contra crianças e adolescentes.
Apesar desses números altos de denúncias, existem entidades contribuindo de diversas formas para auxiliar na diminuição dessas porcentagens e também no apoio às vítimas. A psicóloga especialista em terapia de casal e sexualidade, Lívia Nóbrega, conhecida por oferecer atendimento terapêutico gratuito às vítimas que relataram seus casos de assédio no Exposed Fortal em 2020, conta que foi chamada pelo Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) na época para fazer parte do Núcleo de Atendimento às Vítimas de Violência (NUAVV) para ajudar as vítimas e fazer os atendimentos os gratuitos lá, visto que por lei ela como psicóloga não poderia oferecer atendimento gratuito, visto que no do Código de Ética Profissional do Psicólogo impede o mesmo de fazer propaganda do preço do seu serviço, seja ele pago ou gratuito, então ela afirma que foi uma forma de manter o trabalho que ela gostaria de realizar.
Quando comentado sobre a função do NUAVV, Lívia explica que o NUAVV é um atendimento às vítimas de violência que é voltada para todos os gêneros ela conta que a maior parte é composta por um público feminino que busca devido a algum caso de violência que sofreram, seja sexual, psicológica ou doméstica, por isso a equipe é totalmente formada por profissionais mulheres, para trazer mais conforto para a vítima. Já os homens procuram devido às facções, geralmente estão sendo ameaçados de morte ou precisam sair do território, mas não conseguem.

Jennifer Garrido
Fundadora do Centro de Educação Integrada Jennifer Garrido
É nesse ponto que as entidades de ensino são a extensão de casa, afinal, a educação sexual deve começar em casa e ser aprofundada na escola, dessa forma, pais e professores trabalhariam juntos para evitar casos de assédio sexual contra crianças e adolescentes. Existem várias formas de amenizar a situação e reduzir o número de casos e sendo aplicadas corretamente e com vigor, é possível uma mudança no sistema escolar e torná-lo realmente uma família acolhedora.
Para entender mais sobre essa Educação e sua relevância, acompanhe o nosso podcast sobre o assunto e as formas de evitar o assédio sexual na escola com as participações de Jennifer Garrido, fundadora do Centro de Educação Integrada com o seu nome, a psicóloga Lívia Nóbrega e a pedagoga Heulália Charalo, todas as participantes também da nossa reportagem como todo:
Confira abaixo um Podcast sobre "Como Prevenir o Assédio Sexual em Escolas":
Caso você tenha se identificado com algum caso ou sofreu algum tipo de assédio:
