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Paula

Paula tinha 15 anos quando começou a estudar no Colégio Ari de Sá Cavalcante, em 2016. Chegando de uma instituição pública de uma cidade do interior do Ceará, conta ter ficado impressionada com o nível e a capacidade de ensino dos professores da nova escola. Em sua primeira turma, teve aula com o professor de redação Ricardo, que aparentava os 40 anos, e tinha o costume de elogiar sua aula quando se sentia admirada.

 

A jovem afirma ter mantido uma boa relação com o professor, o cumprimentava pelos corredores até mesmo quando ele deixou de ser seu professor. No ano seguinte, em 2017, Paula passou a ficar o dia inteiro no colégio para se dedicar ainda mais aos estudos, e conta: “Às 18:32, ele passou pelo corredor. Eu fui cumprimentar normalmente com um abraço, nesse abraço ele foi me levando até um espaço atrás do vidro de uma porta. O movimento que ele fez foi de me colocar na frente dele, e nesse momento ele apalpou meus seios”.

 

Apesar de ter percebido o ato, Paula conta ter ficado sem ação, sem saber o que fazer. “Minha única reação foi tentar sair dali", expressa a garota. Ela se afastou, e decidiu voltar ao local no dia seguinte para conferir se haviam câmeras de segurança próximas, mas não encontrou. “Não tinha como eu provar nada, não tinha o que eu pudesse fazer”. Apesar de saber que sofreu um assédio, optou por não contar para a família ou registrar um Boletim de Ocorrência, por não ter provas. 

 

Em 2018, Paula voltou a ter aulas com o professor Ricardo, mas sentiu dificuldade em assisti-las, “não aguento mais” pensava. Nesse momento, decidiu relatar à psicóloga do colégio, que se responsabilizou de passar a denúncia à coordenação. Depois disso, não recebeu mais nenhum retorno, além da mudança de comportamento do professor, que passou a agir com indiferença. “Eu sentia raiva porque sabia que não era a única, tinha acontecido com outras meninas” declara.

 

Apesar da denúncia, em 2019 continuou sendo aluna de Ricardo, o que levou Paula a deixar de assistir suas aulas. “Não suportava a presença dele", expressa a garota, que afirma ter sentido-se prejudicada nos estudos e aprendizado. “Eu não me sentia culpada, mas sim vulnerável. Vivia em estado de alerta, achando que ele podia fazer mais alguma coisa” declarou. Paula conta também de um momento específico em que conversava com um auxiliar de coordenação no corredor, quando Ricardo se aproximou para abraçar os dois, acreditando que o rapaz também era um aluno. No abraço, deixou a garota no meio dos dois e disse: “E aí, vamos dar um acocho nessa menina?”. 

 

Em 2020, com o início do #ExposedFortal, Paula conta ter recebido apoio de algumas amigas para postar sua denúncia anonimamente. A partir de seu relato, mais quatro surgiram em seguida. Após isso, o professor Ricardo foi afastado do Colégio Ari de Sá, juntamente com a publicação da nota lançada pelo colégio nas redes sociais.

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© 2021 KSB Gazette. Universidade de Fortaleza

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